segunda-feira, 21 de maio de 2012

Reflexão: O Círculo dos 99

O Círculo dos 99 (metáfora)

Você quer ser Rico? Então leia o Círculo dos 99!
Você quer ser Feliz? Então não leia não...
É muito comprida a história.




Era uma vez um Rei muito triste que tinha um pajem que, como todo pajem de um Rei triste, era muito feliz...
Todas as manhãs, o pajem chegava com o desjejum do seu Amo, sempre rindo e cantarolando alegres canções... o sorriso sempre desenhado em seu rosto, e a atitude para com a vida sempre serena e alegre...
Um dia o Rei mandou chamá-lo:
- Pajem - perguntou o Rei - qual é o seu segredo?
- Qual segredo, Majestade?
- Qual o segredo da sua alegria?
- Não existe nenhum segredo...
- Não minta, pajem... bem sabe que já mandei cortar muitas cabeças por ofensas menores do que a sua mentira!
- Mas não estou mentindo! Não guardo nenhum segredo.  
- E por que você está sempre alegre e feliz?
- Majestade, eu não tenho razões para estar triste: muito me honra servir a Vossa Majestade,  tenho minha esposa e meus filhos, e vivemos na casa que a Corte nos concedeu; somos vestidos e alimentados e sempre recebo algumas moedas de prata para satisfazer alguns gostos... Como não estar feliz?
- Se você não me disser agora mesmo qual é o seu segredo, mandarei decapitá-lo - disse o Rei. - Ninguém pode ser feliz por essas razões que você me deu!
- Mas, Majestade, não há nenhum segredo... Nada me satisfaria mais do que sanar a vossa curiosidade, mas realmente não há nada que eu esteja escondendo.
- Vá embora daqui, antes que eu chame os guardas!
O pajem  sorriu, fez a habitual reverência e deixou o Rei em seus pensamentos.
O Rei estava como louco. Não entendia como o pajem poderia ser feliz vivendo em uma casa que não lhe pertencia, usando roupas de terceira mão e se alimentando dos restos dos cortesãos.
Quando se acalmou, mandou chamar o mais sábio de seus conselheiros e lhe contou a conversa que tivera com o pajem, pela manhã.
- Sábio, por que ele é feliz?
- Majestade, o que acontece é que ele está fora do Círculo...
- Fora do Círculo?
-  Sim.
- E é isso o que faz dele uma pessoa feliz?
- Não. Isso é o que não o faz infeliz...
- Vejamos se entendo: estar no Círculo sempre nos faz infelizes?
- Exato.
- E como ele saiu desse tal Círculo?
- Ele nunca entrou.
- Nunca entrou? Mas que Círculo é esse?
- É o Círculo dos 99...
- Realmente não entendo nada do que você me diz.
- A única maneira para que Vossa Majestade entenda seria mostrando pelos fatos.
- Como?
- Fazendo com que ele entre no Círculo.
- Isso! Então o obrigarei a entrar!
- Não, Majestade, ninguém pode ser obrigado a entrar...
- Então teremos que enganá-lo.
- Não será necessário... se lhe dermos a oportunidade, ele entrará por si mesmo.
- Por si mesmo? Mas ele não notará que isso acarretará sua infelicidade?
- Sim, mas mesmo assim entrará... Não poderá evitar!
- Ele saberá que isso será o passo para a infelicidade e mesmo assim entrará?
- Sim. Vossa Majestade está disposto a perder um excelente pajem, para compreender a estrutura do Círculo?
- Sim.
- Então, nesta noite, prepare uma bolsa de couro com 99 moedas de ouro. Mas devem ser exatas 99, nem uma a mais, nem uma a menos.
- O que mais? Devo levar escolta para proteger-nos?
- Nada mais do que a bolsa de couro...
- Então vá. Vemo-nos à noite.
Assim foi...
Nessa noite, o sábio buscou o Rei e juntos foram até os pátios do Palácio. Esconderam-se próximo à casa do pajem, e lá aguardaram o primeiro sinal.
Quando dentro da casa se acendeu a primeira vela, o sábio pegou a bolsa de couro e junto a ela atou um papel que dizia: "Este tesouro é teu. É o prêmio por seres um bom homem. Aproveita e não conta a ninguém como encontraste esta bolsa".
Logo deixou a bolsa com o bilhete na porta da pajem. Bateu uma vez e correu para esconder-se. Quando o pajem abriu a porta, o sábio e o Rei espiavam por entre as árvores. O pajem viu o embrulho, olhou para os lados, leu o papel, agitou a bolsa e, ao escutar o som metálico, estremeceu dos pés à cabeça, apertou a bolsa contra o peito e rapidamente entrou em casa.
O Rei e o sábio aproximaram-se da janela para presenciar a cena.
O pajem havia despejado todo o conteúdo da bolsa sobre a mesa, deixando somente a vela para iluminar. Seus olhos não podiam crer no que estavam vendo...
Era uma montanha de moedas de ouro!
Ele, que nunca havia tocado em uma dessas, de repente tinha um monte delas...
Ele as tocava e amontoava, acariciava e fazia brilhar à luz da vela. Juntava e esparramava, fazendo pilhas...
E assim, brincando, começou a fazer pilhas de 10 moedas. Uma, duas, três, 4, 5.... e, enquanto isso, somava 10, 20, 30, 40, 50... até que formou a última pilha... 99 moedas?
Seu olhar percorreu a mesa primeiro, buscando uma moeda a mais, logo o chão e finalmente a bolsa. "Não pode ser" – pensou.
Pôs a última pilha ao lado das outras 9 e notou que realmente esta era mais baixa.
- Me roubaram! Me roubaram! – gritou.
Uma vez mais procurou por todos os cantos, mas não encontrou o que achava estar faltando....
Sobre a mesa, como que zombando dele, uma montanha resplandecia, fazendo-o lembrar-se de que havia SOMENTE 99 moedas. "99 moedas... é muito dinheiro, mas falta uma... 99 não é um número completo. 100 é, mas 99 não..."
O Rei e o sábio espiavam pela janela e viam que a cara do pajem já não era mais a mesma: ele estava com as sobrancelhas franzidas, a testa enrugada, os olhos pequenos e o olhar perdido... sua boca era uma enorme fenda, por onde apareciam os dentes que rangiam...
O pajem guardou as moedas na bolsa, jogou o papel na lareira e, olhando para todos os lados e constatando que ninguém havia presenciado a cena, escondeu a bolsa por entre a lenha. Pegou papel e pena e sentou-se a calcular. Quanto tempo teria que economizar para poder obter a moeda de número 100?
O tempo todo o pajem falava em voz alta, sozinho... Estava disposto a trabalhar duro até conseguir. Depois, quem sabe, não precisaria mais trabalhar... com 100 moedas de ouro ninguém precisa trabalhar.
Finalizou os cálculos. Se trabalhasse e economizasse seu salário e mais algum extra que recebesse, em 11 ou 12 anos conseguiria o necessário para comprar a última moeda.
"Mas 12 anos é tempo demais... Se eu pedisse à minha esposa que procurasse um emprego no vilarejo, e se eu mesmo trabalhasse à noite, em 7 anos conseguiríamos" -  concluiu, depois de refazer os cálculos. - "Mesmo sendo muito tempo, é isso que teremos que fazer..."
O Rei e o sábio voltaram ao Palácio.
Finalmente, o pajem havia entrado para o Círculo dos 99!!!
Durante os meses seguintes, o pajem seguiu seus planos, conforme havia decidido naquela noite.
Numa manhã, entrou nos aposentos reais com passos fortes, batendo nas portas, rangendo dentes e bufando, com todo o mau humor típico dos últimos tempos...
- O que lhe acontece, pajem? - perguntou o Rei de bom grado.
- Nada, não acontece nada...
- Antigamente, não faz muito, você ria e cantava o tempo todo...
- Faço ou não o meu trabalho? O que Vossa Majestade espera? Que, além de pajem, eu seja obrigado a estar sempre bem, porque assim o deseja?
Não se passou muito tempo, e o Rei despediu o seu pajem. Afinal, não era nada agradável para um Rei triste ter um pajem mal-humorado o tempo todo...


Fomos educados assim. Sempre falta algo para estarmos completos, e somente completos podemos ser felizes... Como sempre falta algo, nunca se pode desfrutar plenamente a vida... Mas o que aconteceria se nos déssemos conta, assim, de repente, de que nossas 99 moedas são os nossos 100%? De que nada nos faz falta? De que ninguém tomou aquilo que é nosso? De que não se é mais feliz  por ter 100 e não 99 moedas? De que tudo é uma armadilha posta à nossa frente, para que estejamos sempre cansados, mal-humorados, desanimados, infelizes? Quantas coisas mudariam, se pudéssemos desfrutar nosso tesouro tal como é!!!


(Autor Desconhecido)

postado por Fábio

domingo, 13 de maio de 2012

A luz como verdade


"A evolução do humano está na arte de saber
compreender os que ainda estão passando por ela"
(Fábio Ibrahim El Khoury)


Cresci sendo influenciado por fatores externos. Na verdade, tais "influências" me moldaram ao longo da vida. Hoje, após perceber o que era aquilo tudo, começo a compreender o tamanho do trabalho que tenho pela frente. Digo isso "por mim", mas imagino a imensurável estrada que a humanidade terá que percorrer, principalmente no fator "crenças", o qual automatiza o nosso comportamento. Rever as próprias crenças não é nada fácil, mas o pior é deixar de fazer simplesmente pelo comodismo, na qual nos tornamos cegos de nós mesmos. Não digo isso por deixar de pensar ou olhar além da Terra, mas sim, por não nos remetermos ao nosso interior - onde tudo está.

A verdade sempre esteve presente na humanidade e nós somos os únicos responsáveis por tudo a nossa volta, pois sempre foi cômodo deixarmos que outros pensassem por todos nós.

O autoconhecimento é o fator chave que permite despertarmos para a imensidão de quem somos, deixando de ser – fingir - o que na verdade não somos.

Já é chegado o momento em que saberemos, individualmente, quem realmente somos e o nosso verdadeiro potencial diante do cosmo.

Não precisamos nos gabar ou inflar o ego, achando ser melhor que os outros. Pelo contrário, não somos superiores ou inferiores a qualquer forma de vida no universo, seja humana ou não.  O fato é que não podemos violar o direito que todos têm de evoluir, pela simples justificativa de não termos a compreensão de sua linguagem ou entendimento.

No universo, onde tudo é criação divina, não há certo ou errado, bom ou mau. Esses são apenas posicionamentos que assumimos diante de uma crença que temos.

Aceitar e deixar fluir são pontos primordiais para a manifestação do amor em nossas vidas. Somente através do amor é que seremos capazes de perdoar e libertar a nós mesmos e aos outros, para que possamos receber todas as experiências como ensinamentos para o nosso crescimento.


“Pelo AMOR, tudo é possível...
Até mesmo o inimaginável”


Fábio  Ibrahim El Khoury



"para reflexão"
 

 "Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses."
(Sócrates)

sábado, 12 de maio de 2012

Viver é muito bom!


Viver é bom. Estar no mundo da matéria é maravilhoso. Muitas pessoas, por não crerem no mundo imaterial ou por não buscarem maiores conhecimentos acerca da sua verdadeira origem, guardam, inconscientemente, uma revolta ou melancolia por terem que viver presos num corpo material, suportando as provas da terceira dimensão.

Eu mesmo já identifiquei isto, durante minhas incansáveis buscas. Percebi que tinha uma profunda “raiva” do mundo, pois não queria ter nascido. Chorei muito quando rememorei os fatos que envolviam este sentimento. Pedi perdão a Deus pela minha revolta, com profundo arrependimento, e agradeci por estar viva. Hoje, mesmo sabendo que o caminho é longo, aprendi a amar e respeitar as pessoas, animais, vegetais e minerais, pois todos somos manifestações de Deus Absoluto na Terra.

Lendo o livro “O Mago de Strovolos”, de Kyriacos C. Markides, que conta a história de Daskalos e de seus ensinamentos e curas espirituais, eu consegui entender melhor o que sinto. O autor escreveu este livro a partir de uma profunda pesquisa de campo realizada durante sua convivência como discípulo deste mestre.
Durante umas das inúmeras conversas que compuserem esta maravilhosa obra, Kyriacos perguntou a Daskalos sobre a diferença entre existência e o estado de Ser.

Mestres dos Magos
O mestre explica que todos somos Mônadas Sagradas, almas, antes de podermos existir, e que adquirimos a existência quando passamos pela Ideia do Homem. Ele diz ao seu aprendiz que, como entidades eternas, nós simplesmente somos e sempre fomos e que, através dos ciclos da existência, devemos desenvolver nossa autoconsciência.

Ficou claro para Kyriacos que o ato de ser é a realidade, enquanto a existência refere-se ao mundo dos fenômenos, os quais incluem os mundos de matéria densa, o psíquico e o noético – não entrarei em detalhes sobre isso neste post, para não perdermos o foco. O importante é que, se desejarmos entrar na realidade, teremos que transcender a existência e recuar para o ato de ser, ou seja, para uma forma de não existência.

Mas o mais interessante nesta conversa entre mestre e discípulo, é quando o mestre fala sobre sua experiência pessoal em que conseguiu, com a ajuda de seus próprios mestres, transcender a matéria e experimentar o estado de ser.

O que ele relata é incrível, pois explica que, mesmo experimentando um estado de plenitude e felicidade, há algo que o impele a voltar, pois é da natureza do estado de ser refletir a si próprio. Veja abaixo um trecho do livro:

Ao entrar para o interior de mim mesmo, que do ponto de vista humano é o nada, e do ponto de vista do estado de ser é plenitude, sei que é da minha natureza reentrar no mundo da matéria. Estou falando baseado estritamente na minha experiência pessoal. Imaginemos que alguém me pergunte: “Onde prefere estar, na plenitude do ser não concebido, onde achamos o que chamamos de felicidade, ou dentro das provações e tribulações da existência fenomênica?”. Acredite-me, se tiver uma pessoa amada perto de mim, em cujos olhos eu possa olhar, de quem eu possa sentir o perfume e acariciar os pés, eu diria que prefiro isso. Chame a isso de fraqueza ou do que quiser, ainda assim é um atributo do nosso estado de ser e não da nossa existência. Talvez esta seja a mesma ânsia que, dentro do próprio Estado de Ser Absoluto, propicie a criação dos mundos: tocar e acariciar amorosamente, com os raios do seu Sol, até as águas mais turvas e estagnadas.

Daskalos complementa que “o mundo material, com todos os seus tormentos e imperfeições, é lindo!”.

Vale citar a história que Kyriacos conta, ao refletir sobre o que acabou de ouvir em relação aos anseios terrenos de Daskalos, sobre um grande mestre zen:

Toda a sua vida ele pregara a falta de importância e a natureza ilusória do mundo material. Quando estava para morrer, seus discípulos se reuniram à volta de seu leito de morte para ouvir algumas sábias palavras finais. A única coisa que ele disse foi: “Quero viver, quero viver.” Seus adeptos ficaram desapontados. “Mas mestre, como pode dizer isso?”, protestaram eles. “Realmente... realmente eu quero viver”, repetiu ele e fechou os olhos. Esta foi a última lição do mestre.

Tudo isso me faz entender como é maravilhoso viver neste mundo, apesar de ter consciência de que a felicidade plena está somente no estado de Ser, no eterno. A meditação, o relaxamento, o apreciar da natureza e todas as suas formas, são maneiras de, mesmo estando na matéria, podermos acessar a Fonte de tudo que é, o Absoluto, Deus. Essas práticas nos ajudam a desenvolver a gratidão por tudo que somos.

Para finalizar, cito uma frase do livro “A Última Grande Lição”, de Mitch Albom, que conta a história de Morrie, seu professor, que sofre de uma doença terminal: 

“Todo mundo sabe que vai morrer, mas ninguém acredita”.

Sabemos que a morte não existe e que este fenômeno é somente uma transição.

Mas somente quando entendermos o que isto realmente significa, é que poderemos afirmar com alegria que sabemos o que é existir.


Lê Kobus